Archive for the ‘do jornalismo’ Category

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criar notícias

Janeiro 15, 2008

Talvez seja precipitado agarrar a coisa assim: grassa no meio jornalístico um novo fenómeno. Mas é o que parece.

Primeiro, o repórter da Visão. Na linha de Super Size Me, mas de cores verdejantes, vegetarianas, propôs-se a uns meses de experiência alimentícia. Cortou na roda dos alimentos, consultou médicos, pesou-se, esmiuçou as vielas do corpo. O resultado foi uma reportagem em jeito de documentário. Na Visão e na SIC.

Agora, novamente com o carimbo SIC mas desta vez com o Público como parceiro, parece que vamos poder acompanhar ao minuto a vida dessa ave com nome giro, o grifo, através de uma câmara colocada no ninho do animal. A coisa mereceu destaque ontem, na SIC, e hoje está bem visível na capa do jornal da Sonae.

Ainda não é tempo de avaliar esta nova moda (será sequer uma moda?). O que não posso deixar de pensar é que há nisto uma subversão do papel do jornalista: em vez de procurar a notícia, o repórter tenta agora criá-la. Vontade de inovar ou défice de tempo para pensar a actualidade e dela sorver criatividade? Veremos.

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Novembro 12, 2007

O blogue, bem se vê, anda descuidado. Fruto do muito trabalho no Sexta. E, claro, da falta de vontade temporária.

Entretanto, já vou no terceiro capítulo da crónica A Árvore do Loucos, que assino aos domingos no ComUM. Fica um excerto.

«Pagar por um jornal é hoje, repito, coisa meramente formal. O Meia Hora é melhor que o 24 Horas, jornalisticamente avaliando. E é gratuito. Borlas podem não ser sinónimo de má qualidade, parece-me. Talvez um retrato errado de quem tem os olhos toldados pela engrenagem da coisa. Talvez. Mas não creio.»

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ai, o jornalismo

Outubro 25, 2007

sexta1.jpgQuase duas da manhã. Aqui, no Bairro Alto, fecha-se o número um do SEXTA, semanário gratuito que sai para a rua esta sexta-feira, 26. Apesar do cansaço – mais que muito, acreditem – eu cá já tinha saudades destes andamentos. Fazem-me lembrar os tempos do semanário Académico, na Universidade do Minho. Mas com um brutal upgrade de qualidade e meios à disposição.

O jornalismo, o jornalismo.. Gosto disto. É porreiro, pá.

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há dias em que o jornalismo dá mesmo a notícia

Outubro 12, 2007

Coisa bonita, esta que se pode ver no vídeo abaixo. O repórter da Reuters tem o privilégio de dizer a Doris Lessing, na primeira pessoa e em primeira mão, que é dela o Prémio Nobel da Literatura 2007. Gostei da reacção desta senhora velhinha que eu, confesso, desconhecia totalmente.

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do trabalho

Outubro 8, 2007

Finalmente. Agora que as coisas estão confirmadas, que não há mais dúvidas ou revezes, posso contar aqui o que irei fazer nos próximos tempos. Vou integrar, como jornalista, a redacção do novo semanário gratuito que se prepara para nascer. Chama-se SEXTA e, surpresa, sairá às sextas-feiras.

A coisa, projecto comum do Público e d’A Bola, terá cariz generalista e será um jornal prospectivo, que olha muito para o porvir e muito pouco para o passado, nem que o passado seja ontem. É um jornal de histórias, de pessoas que dão histórias, de projectos e ideias de pessoas que dão histórias. O SEXTA terá no seu modelo de distribuição uma das principais novidades e na tiragem colossal (350 mil exemplares) a sua principal força.

A equipa é composta por elemento do Público e d’A Bola e o jornal, a correr bem, sai ainda este mês. Depois de muitos impasses, de ter estado “quase” neste e naquele jornal, acabei por ser chamado pela casa onde estagiei. Já tinha saudades das redacções e estou feliz por voltar. Finalmente.

Continuarei a escrever para o Público, nos suplementos Economia e Digital, sempre que o tempo assim me permita. Entretanto, há o relatório de estágio para defender este mês e concluir a licenciatura; e uma outra coisa chamada Útil, jornal universitário de âmbito nacional. Já o viram por aí?

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das justiças do jornalismo

Outubro 4, 2007

«Obrigado.
Obrigado à minha família. Obrigado aos jornalistas Alexandra Lucas Coelho, David Lopes Ramos, Dulce Neto e Rosa Ruela.
Obrigado a quem já conhece “O almoço ilegal está na mesa”, “A caça à pedra maneirinha” e “Guardadores de sementes”.
Parabéns aos repórteres fotográficos Nuno Ferreira Santos e Rui Gaudêncio, co-autores das três reportagens, com quem vou partilhar o prémio monetário.
Parabéns também ao Jacinto Godinho, ao Manuel António Pina e à Mais Alentejo, que me deixam ainda mais orgulhoso por estar aqui hoje.

Como trabalhador precário que sou, deu-me um gozo especial receber o prémio Gazeta Revelação 2006, do Clube dos Jornalistas.
A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre.

Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo.
A todos os jornalistas precários.

Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato.
Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.
Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia.
E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.
Obrigado,
Lisboa, Ruínas do Convento do Carmo, 25 de Setembro de 2007
João Pacheco»

Este rapaz de 26 anos costumava sentar-se à minha frente, durante os meus meses de estágio no Público, para escrever as suas reportagens e fazer uns telefonemas. Este rapaz usava sempre o computador que sobrava. Este rapaz e as palavras que proferiu ao receber este prémio – na presença de Cavaco Silva e do ministro Santos Silva – deixam-me isto na boca: exemplar.

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acabou-se a premiere

Setembro 18, 2007

A Premiere, única revista sobre cinema em Portugal com publicação periódica e distribuição nacional, vai acabar em Outubro. Pode ler-se aqui o texto do seu director, José Vieira Mendes, sobre a decisão; e aqui o comentário do João Lopes, um dos colaboradores da revista.

premiere.jpg

A notícia é triste. Confesso que nunca fui comprador assíduo da publicação e que até, das poucas vezes que ela me chegou às mãos, lhe encontrei algumas coisas (textos) de que não gostei. Mas era, ainda assim, uma revista de cinema, uma revista de cinema em português, que tentava pensar e dizer o cinema da melhor maneira possível – e com parcos recursos.

Espero, como também espera o director da Premiere, que o mercado não seja alheio a este vazio e que surja brevemente uma nova publicação dedicada ao cinema. Seria bom para todos. E teria público. Acredito.