Archive for the ‘da sociedade’ Category

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sinal dos tempos

Dezembro 26, 2007

a mensagem da Rainha de Inglaterra pela primeira vez no YouTube. Até foi criado um Canal Real para o efeito.

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ler, essa terrível obrigação

Novembro 30, 2007

Parece que, em Espanha, 22 por cento dos estudantes universitários admite nunca pegar num livro. Por cá, a coisa será diferente?

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da reforma ortográfica (II)

Setembro 17, 2007

A pedido do camarada Larguesa, escrevo um pouco mais sobre a reforma ortográfica.

Em 1990, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe (e, depois, Timor) assinaram um acordo relativo ao tema que continua a ser o documento-base para uma eventual mudança que se venha a verificar. O acordo prevê uma modificação de 0,5 por cento no vocabulário brasileiro e de 1,6 por cento no dos restantes países lusófonos, que adoptam a norma portuguesa.

Em traços muito gerais, a entrada em vigor deste acordo afectaria cerca de 2600 palavras do nosso vocabulário. A alteração mais significativa refere-se, a meu ver, à eliminação das consoantes que não são pronunciadas. Assim, passaríamos a escrever ação, didático, ótimo e batismo.

Para além disso, ‘simplificam-se’ as regras do hífen (anti-semita passa a antissemita) e suprimem-se alguns acentos: leem, deem, pelo (pilosidade) ou polo (como em Pólo Norte). Passará ainda a ser correcto, em Portugal e nos restantes países, escrever facto ou fato; génio ou gênio; secção ou seção; aspecto ou aspeto. A coisa considera-se correcta das duas maneiras.

E pronto, ao de leve é apenas isto que muda. E tu, António, vais poder passar a assinar Antônio, porque também estará correcto. E o teu, às vezes nosso, jornalismo económico também pode ser econômico.

Desconfio que esta pode ser uma solução drástica das gentes políticas para reduzir o número de erros nas famosas composições escolares (e não só) – já que é tanta a escolha e a variedade de opções e a simplificação (?). Não concordo. E vocês?

*fonte: Wikipédia

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da reforma ortográfica

Setembro 16, 2007

«O embaixador de Portugal em Brasília, Francisco Seixas da Costa, afirmou hoje que o Brasil e Portugal defendem posições comuns sobre a necessidade de uma reforma ortográfica».

Porque conheço alguns dos pontos da coisa proposta – e porque gosto muito do português como o escrevo – não consigo estar de acordo com isto. Nem pensar. Valeu?

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do público e do privado

Setembro 13, 2007

profissaoreporter.jpgCada vez mais, as empresas privadas podem prestar bons serviços públicos. A Fnac do Chiado, Lisboa, está a passar um completíssimo e muito interessante ciclo de cinema italiano. A coisa é gratuita, diária e arranca normalmente às 18h30. Ontem, sem saber da existência da iniciativa, fui surpreendido com o começo de Profissão Reporter, de Antonioni. Belo presente, ainda para mais porque nunca tivera a oportunidade de ver o dito filme. Valeu a pena. E a cadeira nem era tão má quanto isso.

lifemiracle.jpgJá o serviço público deixa, aqui e ali, muito a desejar. A RTP1, há coisa de três dias, passou um filme de referência, filme que muitos portugueses (vá lá, alguns) teriam certamente interesse em ver. A Vida é um Milagre, de Emir Kusturika. O problema é que a fita começou quando já passavam das 02h30. Quase inacreditável.
É que a RTP, mesmo assim bem melhor na sua programação que a mediocridade que prolifera nos canais privados, consegue, não se sabe bem como, dar contantes tiros nos pés, como este – e ainda mantém no seu horário nobre jornalistas tão boçais como é Luís Baila (e quem ontem viu a tragédia da selecção scolariana saberá do que estou a falar).

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fim do horizonte

Agosto 26, 2007

Acabou-se. Eduardo Prado Coelho morreu – e eu sou dos que consideram que nunca há dignidade na morte, nunca. Lembrá-lo-ei sempre pela escrita certeira das crónicas com que viajava por (e pensava em) todos os lugares da cultura e dessa coisa chamada portugalidade. Várias vezes o admirei, outras tantas discordei com eles. Mas em momento algum deixei de o ler (e isso, por si, diz tudo).

Reproduzo abaixo parte de um dos textos de Prado Coelho que jamais esquecerei, palavras que para sempre associarei àquela barba, àqueles óculos proeminentes e especialmente àquela pena afiada que tantas e tantas vezes pintou o jornal Público e outras paredes assim. Vale MUITO a pena ler. E pensar sobre.

«Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos … e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser “compradas”, sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes».

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máxima

Julho 3, 2007

«Viver sem fumar é como escrever sem pontuação.»

Vasco Pulido Valente, no Público