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criar notícias

Janeiro 15, 2008

Talvez seja precipitado agarrar a coisa assim: grassa no meio jornalístico um novo fenómeno. Mas é o que parece.

Primeiro, o repórter da Visão. Na linha de Super Size Me, mas de cores verdejantes, vegetarianas, propôs-se a uns meses de experiência alimentícia. Cortou na roda dos alimentos, consultou médicos, pesou-se, esmiuçou as vielas do corpo. O resultado foi uma reportagem em jeito de documentário. Na Visão e na SIC.

Agora, novamente com o carimbo SIC mas desta vez com o Público como parceiro, parece que vamos poder acompanhar ao minuto a vida dessa ave com nome giro, o grifo, através de uma câmara colocada no ninho do animal. A coisa mereceu destaque ontem, na SIC, e hoje está bem visível na capa do jornal da Sonae.

Ainda não é tempo de avaliar esta nova moda (será sequer uma moda?). O que não posso deixar de pensar é que há nisto uma subversão do papel do jornalista: em vez de procurar a notícia, o repórter tenta agora criá-la. Vontade de inovar ou défice de tempo para pensar a actualidade e dela sorver criatividade? Veremos.

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5 comentários

  1. A ideia Super Size Me não é novidade no jornalismo. É? Viagens no autocarro das claques, exemplo à vista dos noticiados. Mas outros: procurar emprego, casa, coisas, ilegalidades, fazendo-se passar pelo que não é e publicar o que viu. Mesmo às custas do próprio corpo – o nutricionismo nem nisso inova, é apenas mais uma área de interesse.

    Do grifo: talvez não fosse tão grave o destaque dado à criação jornalística (vá, ao voyeurismo), caso não fossem obliterados outros assuntos, de importância relativa, dou, mas como acontece em todas as escolhas (p.e.: ouvir o PM a dizer que nada tem a dizer, ou outro senhor no mesmo registo), pelo que não vejo o porque não. Ou, pensando melhor, a Sic está com tamanha dificuldade nas audiências que as quer tirar à RTP2, à hora do National Geographic.


  2. Normalmente, como no caso das claques, o jornalista camufla a sua identidade para mostrar uma realidade oculta. Como nas casas de rendas duvidosas, como nos bares de ilegalidades ligadas ao prazer do corpo. Não me recordo de ver um jornalista fazer o que fez o da Visão. Não sei se bem se mal. Agora, parece-me novo.

    Quanto ao grifo, o destaque parece-me demasiado na capa do Público. Os grifos acasalam dá-se isto. Morreu o Luiz Pacheco dá-se aquilo (e falo de capa). Não gosto da balança.


  3. 1) Penso que apenas o assunto é novo e não a abordagem. Para poder investigar in loco sobre nutricionismo faz-se isto, pra as claques faz-se aquilo. Sempre com o corpo. Os pedidos da matéria são diferentes, mas o método – o corpo ao manifesto, se quiseres – é o mesmo.

    2) De acordo.


  4. podemos estar a ser redundantes. mas parece-me que há uma diferença: o impacto da coisa, nos outros casos, é demonstrado através de outros; ou do impacto dos ditos e actos dos outros. No caso, é o jornalista a notícia. O seu corpo, a sua saúde.
    Mas aceito o teu ponto de vista.


  5. A propósito da leviandade com que a notícia está a ser tratada hoje em dia, Hélder, deixo-te este link que nos mostra dois textos absolutamente contraditórios do mesmo jornalista, no mesmo dia sobre o concerto do Jorge Palma

    http://www.clubedejornalistas.pt/DesktopDefault.aspx?tabid=1085



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