Archive for Novembro, 2007

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ler, essa terrível obrigação

Novembro 30, 2007

Parece que, em Espanha, 22 por cento dos estudantes universitários admite nunca pegar num livro. Por cá, a coisa será diferente?

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a loucura do iphone

Novembro 30, 2007

O iPhone começa timidamente a chegar à Europa. Agora é a vez da França. A imagem mostra a fila que se estende pelos Campos Elísios. Só para.. comprar o novo aparelho da Apple. Eu também vou querer um mas, desconfio, não haverá dinheiro que sacie a vontade.

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amores assim

Novembro 26, 2007

«Se tu fores o meu final eu serei o teu começo»

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outra crónica

Novembro 26, 2007

mais uma crónica no ComUM.

Esquinas passadas

O passado. Não se vive o passado. Quando muito, vive-se com ele. Opta-se. Nunca fui bom com passados. O meu, guardo-o para mim. Que acho que é assim que deve ser. Faço como escrevia Virginia Wolf. «Cada um tem o seu passado fechado em si, tal como um livro que se conhece de cor, livro de que os amigos apenas conhecem o título». Nem mais uma linha.

Não somos tábuas rasas. A cada recomeço é impossível apagar o que fica para trás. Depois depende. Seguindo a imagem-livro, há quem esconda o passado na última prateleira da estante, quem goste de apresentar todos os capítulos amiúde e quem não perca a oportunidade de declamar uma passagem que entretanto decorou. Outros há que põem o livro no escaparate, que esperam que o passado os empurre para o futuro, que não largam o primeiro. O passado como Bíblia.

Eu cá faço a vida por contos. Abro um conto, fecho um conto. Guardo-o para mim. Ou mostro-o, muito parcimoniosamente. Reflicto.

«Quando afirmamos que o passado foi melhor, condenamos o futuro, sem conhecê-lo», escreve Francisco de Quevedo. Será esta a parcela perigosa do saudosismo? A de recordar o que lá vai engrandecendo a memória? Não sei. Saudosista sou. Gosto de recordar tempos idos. Para mim. E sem hipérboles. Não vou com Gorki – «A carruagem do passado não nos leva longe» – e apoio Santayana – «Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo». Mas Tchekhov, esse, parece ainda mais sábio: «Onde estamos é que estamos bem. Já não estamos no passado, e então ele parece-nos belíssimo». Ponto.

Para mim, o passado é uma mulher que passa longe. Às vezes bela, outras grotesca. Sempre distante. O passado é uma bonita flor sem cheiro, um frutado vinho sem sabor, um caderno sem folhas (ou de folhas completas). Louise Levêque Vilmorin dizia que «o passado existe quando se está infeliz». E há, parece-me, alguma verdade nestas palavras. O passado não existe. Está lá. Foi. Mas não existe. Não voltarei a ter dezoito anos. O passado não é uma máquina do tempo.

Agarrar-se ao passado pode também ser uma questão de conforto. De querer repetir o mesmo fotograma, o mesmo ângulo, a mesma luz. Disparar. «O passado, pelo menos, é seguro», opina Daniel Webster. E o nosso Virgílio Ferreira é mais conselheiro: «Guarda o passado, se não tens já futuro». Num apontamento mais político-social, que aqui nem vem tanto ao caso – tal é o tom afectuoso da coisa – assumiu-se uma vez que «quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado». (Orwell) Passado ditador, portanto.

Escrever sobre isto fez-me, curiosamente, recordar, rememorar, relembrar, recapitular, evocar que… «o único encanto do passado consiste em que é o passado». (Oscar Wilde).
Até amanhã.

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o melhor blogue do ano

Novembro 21, 2007

A cadeia noticiosa alemã Deutsche Welle promoveu mais uma edição dos The BoBs – The Best of the Blogs. O prémio de melhor do ano vai para uma menina bielorrussa,  (foto)jornalista de 23 anos. Chama-se Foto-Griffoneurei e está carregado de imagens bonitas. A preto e branco. Escolho esta.

O vencedor na categoria para melhor blogue  em língua portuguesa foi o brasileiro Marcelo Taz, com o Blog do Tas, mescla de política, humor e jornalismo.

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do regresso

Novembro 20, 2007

volto com a chuva. regresso à partitura em dias molhados, dias uns mais sonhados que outros, mais quentes que outros, mais perfeitos ou falhos. uns que outros.

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deixar o quente da cama para abraçar as goteiras da cidade velha. nunca viram o bairro alto às onze horas? as manhãs no bairro são outra coisa. manhãs de ruas sujas do lixo da outra noite, de carros que carregam de cerveja as gargantas que mais logo chegarão. bairro da velha que não sai de casa aos anos e que para receber a correspondência desce um saco plástico atado por um cordel. bairro de mulheres gastas que, bata posta, vivem de manhã, comem de manhã, só respiram de manhã. bairro dos trolhas, dos bonés, das mãos carcomidas e dos cigarros trolhas.

lisboa é a cidade em que uma míuda de chuva, vinte e poucos, me pede 50 cêntimos e eu respondo com um não molhado e nocturno e depois me arrependo.

volto com a chuva. para escrever aqui. mais amiúde.

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meio ano num sonho azul

Novembro 12, 2007

«conheciamo-nos pelo tacto e pelo olfacto
tornámo-nos murmurantes
e tu refulges ainda no escuro dos quartos que conhecemos
cruzávamos olhares cúmplices
falámos muito não me recordo de quê
e no calor dos corpos crescia o desejo
caminhámos pela cidade
eu metia as mãos nas algibeiras
(…)
a imagem azulada das tuas mãos flutuava diante de mim
gesticulavas para me dizeres que estávamos vivos e apaixonados»

Al Berto

e estávamos. estamos.