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das justiças do jornalismo

Outubro 4, 2007

«Obrigado.
Obrigado à minha família. Obrigado aos jornalistas Alexandra Lucas Coelho, David Lopes Ramos, Dulce Neto e Rosa Ruela.
Obrigado a quem já conhece “O almoço ilegal está na mesa”, “A caça à pedra maneirinha” e “Guardadores de sementes”.
Parabéns aos repórteres fotográficos Nuno Ferreira Santos e Rui Gaudêncio, co-autores das três reportagens, com quem vou partilhar o prémio monetário.
Parabéns também ao Jacinto Godinho, ao Manuel António Pina e à Mais Alentejo, que me deixam ainda mais orgulhoso por estar aqui hoje.

Como trabalhador precário que sou, deu-me um gozo especial receber o prémio Gazeta Revelação 2006, do Clube dos Jornalistas.
A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre.

Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo.
A todos os jornalistas precários.

Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato.
Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.
Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia.
E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.
Obrigado,
Lisboa, Ruínas do Convento do Carmo, 25 de Setembro de 2007
João Pacheco»

Este rapaz de 26 anos costumava sentar-se à minha frente, durante os meus meses de estágio no Público, para escrever as suas reportagens e fazer uns telefonemas. Este rapaz usava sempre o computador que sobrava. Este rapaz e as palavras que proferiu ao receber este prémio – na presença de Cavaco Silva e do ministro Santos Silva – deixam-me isto na boca: exemplar.

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4 comentários

  1. As palavras devem ser utilizadas no momento certo. Este foi o caso. Muito bom mesmo!


  2. a engolir em seco, ainda.


  3. não falou mal, não, senhor.


  4. Muito bem dito. Eu farta de trabalho precário estou a trabalhar numa grande superfície (Media Markt) onde tenho mais direitos e garantias do que a ser jornalista. Embora eu bem procure não tenho tido sorte. Começou pelo local de estágio.



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