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da reforma ortográfica (II)

Setembro 17, 2007

A pedido do camarada Larguesa, escrevo um pouco mais sobre a reforma ortográfica.

Em 1990, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe (e, depois, Timor) assinaram um acordo relativo ao tema que continua a ser o documento-base para uma eventual mudança que se venha a verificar. O acordo prevê uma modificação de 0,5 por cento no vocabulário brasileiro e de 1,6 por cento no dos restantes países lusófonos, que adoptam a norma portuguesa.

Em traços muito gerais, a entrada em vigor deste acordo afectaria cerca de 2600 palavras do nosso vocabulário. A alteração mais significativa refere-se, a meu ver, à eliminação das consoantes que não são pronunciadas. Assim, passaríamos a escrever ação, didático, ótimo e batismo.

Para além disso, ‘simplificam-se’ as regras do hífen (anti-semita passa a antissemita) e suprimem-se alguns acentos: leem, deem, pelo (pilosidade) ou polo (como em Pólo Norte). Passará ainda a ser correcto, em Portugal e nos restantes países, escrever facto ou fato; génio ou gênio; secção ou seção; aspecto ou aspeto. A coisa considera-se correcta das duas maneiras.

E pronto, ao de leve é apenas isto que muda. E tu, António, vais poder passar a assinar Antônio, porque também estará correcto. E o teu, às vezes nosso, jornalismo económico também pode ser econômico.

Desconfio que esta pode ser uma solução drástica das gentes políticas para reduzir o número de erros nas famosas composições escolares (e não só) – já que é tanta a escolha e a variedade de opções e a simplificação (?). Não concordo. E vocês?

*fonte: Wikipédia

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11 comentários

  1. Pela primeira vez posso dizer que sou uma conservadora. Da escrita, do Português. E com muito orgulho!


  2. Não acho mal. Se não perturba a língua, apenas lhe dá uma maior “ginástica” e liberdade entre os países lusófonos, venha ela. Nada contra. Será que eles (brasileiros) é que deveriam acrescentar o “p” ao óptimo? Se cada um continua a escrever como quer, não vejo nenhuma objecção. Afinal para que precisamos do “c” de facto?*


  3. desculpa, obviamente enganei-me. Reformulo: afinal para que precisamos do “c” em recta?


  4. Ninguém sugeriu que eles (os brasileiros) acrescentem o que quer que seja. Não considero que a norma que usamos seja melhor, mas muito menos que seja arcaica como muitos ‘deles’ defendem.
    A meu ver, as coisas estão muito bem como estão. Nós escrevemos assim, eles escrevem assado. Também não vejo que sentido faria uma estandardização dos diferentes “igleses” que se escrevem/falam pelo mundo – ainda que, bem sei, a questão seja diferente, muito mais focada apenas no vocabulário.
    E que vem “ginástica” e liberdade aos países lusófonos? Não me parece. Todos os países, à excepção do Brasil, seguem a norma portuguesa. É verdade que eles são muitos milhões e que – por isso – a malta que por aí anda pelo mundo a ter aulas de português muitas vezes aprende a norma brasileira. Enfim, eu também tive professoras que ensinavam o inglês de Inglaterra, outras (a maioria) o dos EUA. Eles são mais. Problema? Não vejo.
    Que deixemos as coisas como estão, é a sugestão de quem apenas escreve o português de Portugal de forma re(c)ta e com a legitimidade de gostar de escrever assim. De fa(c)to.


  5. E se a reforma ortográfica for para a frente, qual é a pior coisa que pode acontecer?

    1. Podes continuar a escrever no teu blogue corre(c)tamente;

    2. O Público, o DN e o Record podem continuar a escrever como fizeram até agora;

    3. Os escritores podem continuar a escrever com as vogais que não se pronunciam. (O Saramago, por exemplo até já deve estar farto de desrespeitar as normas da língua portuguesa).


  6. companheiro, esqueces um pequeno-grande detalhe: a ir avante, a reforma fará com que o português passe a ser ensinado nas escolas através da nova norma. o que, daqui por uns anos, fará com que se não escreva como tu e eu e os outros de agora. os jornais mudarão e nós também, forçosamente. com isso não concordo.
    e o saramago escreve com o mesmo vocabulário que tu e eu. um tudo nada anárquico, mas o mesmo. e não anda aí a tentar que todos façamos como ele 😉


  7. Bom, eu penso que uma uniformização do português é saudável, desde que não haja penalização para o nosso bom português. Vemos tanta coisa neste momento em “brasileiro” (basta o exemplo da wikipédia), que é só remar contra a maré imperdir que as formas ortográficas deles não sejam válidas por cá, ou qualquer outro país lusófono. Quanto às comparações com o inglês não tem nada a ver, o que muda é o vocabulário. Enfim, se é verdade que pode influenciar a nossa forma de escrever, também pode não acontecer. É à vontade do freguês. Como deve ser. E atenção que eu até so adepta da nossa forma “arcaica” de escrever. Já em relação ao Saramago, é óbvio que o homem não é exemplo pra ninguém. Mas, lá está, também não o quer ser. Eça é que é Eça 😉


  8. Claro que vai influenciar a nossa forma de escrever. Como não? Acho que o post – ou o documento disponível na wikipédia – é bastante claro. E não, não é à vontade do freguês.
    Eu gosto do português como o escrevo. Simplesmente gostava que não mudasse. Tu gostas mas não te importas com a mudança. Aceito. Espero que aceites a minha posição também.
    A língua é um organismo vivo. Mas nem tanto*


  9. Pois eu também tenho o maior prazer em escrever no mesmo português que me foi ensinado a mim, aos meus pais e aos meus avós. Claro que vão aparecendo pequenas alterações mas o que se propõe é aproximar o português de Portugal do português do Brasil, no fundo.
    Sou daqueles que fico impressionado com os “pontapés” que alguns notáveis dão na nossa língua e custa-me que, de erradas ou autênticas calinadas, algumas palavras passem a ser as que se ensinam na escola.
    Na minha opinião, era um grande desrespeito pela nossa língua que essas alterações seguissem para a frente.


  10. Também pensei nisso. Mas não é propriamente um ataque às crianças. Se eu nunca escrevi ‘correcção’, tanto me faz que seja ‘correcção’ como ‘correção’. Pode ser uma mudança para ti, mas para elas é aprendizagem em primeira mão.

    Aliás, quilo que tu chamas de ‘bom português’ também já engloba alterações ortográficas. O nosso Victor Ferreira chamar-se-ia hoje Vítor Ferreira, por exemplo. Não sei como estar contra modificações ortográficas actuais e não estar contra modificações ortográficas anteriores.

    Claro que entendo que não gostes da mudança (também não gosto; vou continuar a escrever como escrevi até aqui). Mas esse desagrado deve ser o mesmo que os puristas de outrora sentiram quando o Victor perdeu o ‘c’.


  11. Junto-me ao coro de puristas, que neste caso é mais um solo ribatejano.

    Sou pela diferença e pelo carácter único daquilo que constroem as civilizações, tal como a língua, pelo que não vejo qualquer inconveniente no afastamento ligeiro entre os “portugueses” usados pelo mundo fora. Mantenham-se, pois, as diferenças.

    Sou um adepto confesso da linguagem em mutação que ocorre no português do Brasil (ou naquele de Timor-Leste ou Moçambique). Não pela insignificância das consoantes que caem, mas pelos neologismos e formas sintáticas que eles todos criam lá do outro lado dos oceanos. Atlântico ou pacífico, também aqui, como na linguagem, depende da perspectiva 🙂



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