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a dália negra ou o noir fora de tempo

Setembro 13, 2007

Por entre dias ainda incertos, com o devir a espreitar envergonhado, vou enchendo as horas entre o estudo mais ou menos superficial de uns preciosos volumes de Dalí (vida e obra) que meu pai me ofereceu e a reflexão-não-vontade-consumada-de-escrever o relatório de um estágio que já vai longe.

Pelo meio, há as palavras cadentes de Al Berto, as actualidades às vezes flamejantes, um Jornal de Letras todo dedicado a Prado Coelho e O Delfim, do José Cardoso Pires, a virar as primeiras páginas. Sobra o cinema, gosto que tenho retomado com mais assiduidade. O clube de vídeo barateco perto de casa veio ajudar.

black_dahlia.jpgEntre as últimas fitas que vi está A Dália Negra, de Brian de Palma. Antes de mais, dizer que é um filme fora de tempo, o que não é mau. Filmar na Europa do século XXI o glamour e a estrutura narrativa do passado do cinema norte-americano à maneira dos anos 30/40 pode ser um desafio e tanto.

Depois há o género: film noir do começo à outra ponta. E, para quem não gosta, nem sequer vale a pena passar daqui. Não apreciando o original é impossível regalar-se com a cópia. E A Dália Negra copia muitos dos tiques desses filmes cheios de polícias, assassinos e algum suspense.

black-dalia.jpgDa obra, diz João Lopes que «os resultados, desequilibrados e paradoxais, são à medida da “insensatez” do projecto: filmar à maneira de Hollywood, ao mesmo tempo expondo as feridas morais do seu imaginário — neste caso através da história (apoiada em factos verídicos) de uma actriz assassinada». E acrescenta ainda um «pormenor nada secundário: a voz off do director de casting é a do próprio realizador do filme que estamos a ver». As coisas que este homem sabe..

A Dália Negra conta com as participações de Josh Hartnett, Scarlett Johansson, Aaron Eckhart, Hilary Swank e da também bela Mia Kirshner (aí na nossa RTP2, com a excelente série The L Word). Não é um filme excepcional, nem tremendamente cativante. Mas é, ainda assim, um simpático exercício de recriação cinematográfica – e tão fotográfica – que, nos seus derradeiros momentos, ganha alguma cor.

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One comment

  1. Gostei de ver interessados neste filme e na história de Elisabeth Short. Achei curioso citares o Sr. João Lopes que é um grande crítico de cinema aqui pelas nossas bandas. Ele tem sempre pontos de vista interessantes.

    Se te interessar visita o meu blog pois de entre muita coisa interessante também lá está presente a minha apreciação sobre este caso da Dália Negra que sempre me intrigou. Penso até que fui muito mais longe ao incluir além do filme uma contextualização da vitima e do crime que lhe aconteceu.

    Quanto ao teu blog tenho-o sempre debaixo d’olho. Tens muitas “cenas” interessantes e temos gostos musicais semelhantes. Falar de Portishead e Pink Floyd? Já merece a minha real atenção e uma referência ao teu lugar lá no meu “cantinho”.
    Continua a blogar!



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