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os amigos vão dar música neste blogue

Agosto 27, 2007

A vossa atenção. Começa aqui e agora a publicação de uma série de textos, colaborações por mim pedidas a uns quantos amigos bloggers. O desafio foi este: que me digam qual é, até ao momento, a melhor música de 2007. A resposta, bem sei, é extremamente complicada – e disso se dá conta no texto do Hugo Torres, que segue mais abaixo.

Sei, porém, que me agrada a ideia de meter esta gente bonita a escrever sobre acordes e publicar o resultado disso aqui, no blogue. Provavelmente teremos respostas mais e menos complexas, certamente todas elas bem díspares. E, também porque gosto disso, conto seguir com a iniciativa, propondo novos âmbitos (sempre com um piscar de olho cultural) a estas e outras pessoas.

Assim, seguem abaixo as primeiras escolhas e respectivo texto desta série, o do amigo Hugo Torres, do Sozinho a Desenhar. A Encruzilhada, assim lhe chama o autor.

—-

«Este pedido é impossível. É. A meia dúzia de linhas requisitadas apenas pode tomar lugar num compêndio infindável de desculpas, reticências, interrogações, coisas arrebatadas e olhares indizíveis, roucos, vociferados, atormentados: olhares-montros.
Uma mão que bate na outra que descarrega malas, sem telegrama!, no sexo incapaz, lúcido – pecados acidentais, um desporto de encontros sem lucro, um acontecer dos dedos, uma dádiva, enfim, uma crença.

Uma música não é só uma canção, é o cigarro dos fumadores, o coração dos apaixonados, a rede dos pescadores. Uma música. Que fosse uma, não cabia num mundo. (Num mundo de deus, talvez – que, a ser bem escrito, são muitos.)
A música não é uma competência, nem um carrossel – e nestas duas negações encontramos terceira: a música não é mulher. [Os silogismos não se arquitectam, existem.] A música é um sopro que puxa. (Não empurra.)

Nestes termos, 2007 nunca nasceu. Assim, não chegará a perecer às garrafas de champanhe.

beatles_abbey_road.jpg

A magia de um número. De uma palavra, de um ponto. Da cor de uma estrela que já sobreaqueceu e foi engolida pelo mofo dos seus próprios dias. Abbey Road (1969) podia ser o álbum deste escrito. Regressou com uma força inigualável e destaca-se – sem rival!, asseguro-vos – de tudo o resto em voltas à bicicleta. Sim: nestes últimos tempos. Tudo o resto vem e sobra.
Claro que há entusiasmos:
Standing in the Way of Control, canção dos Gossip que titula o álbum de 2006; a opereta ultra-Pop de Mika, Grace Kelly, da estreia Life in Cartoon Motion (2007); o Drums and Guns (2007) – inteirinho! – dos Low.
Por casa: o atrevimento dos Sizo de fazer coisa em condições, com
Nice To Miss You (2007), e a contagiante e libertária Big Three, ou a asfixiante You Ate the Stars. Ah! e aquela canção que é nova mas não vai entrar na notícia Clã – que só chega ao plástico em Outubro –, que é pequenina e a Man’ela se põe aos berros: «Comprei eu, comprei eu, comprei eu…»

Não quero falar mais disto. A liberdade acima de tudo. (Obrigado, Luiz Pacheco.)»

Hugo Torres

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One comment

  1. […] Pauta por Hugo Torres no Agosto 27th, 2007 o Hélder pediu-me para falar sobre música. em 2007. foi o que fiz. outros se […]



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