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eça de queiroz

Agosto 16, 2007

ecaqueiroz.jpgHá 107 anos a esta parte, exactamente no dia 16 de Agosto de 1900, morria o poveiro José Maria Eça de Queiroz. E há coisas do diabo: hoje, ao ler o segundo de dois contos – Civilização e José Matias – de um pequeno livrinho de Eça, comprado por 1 euro num alfarrabista, pensei que não poderia deixar passar em claro a próxima data relacionada com o escritor. Eis que vou à costumeira Wikipédia, saber das efemérides deste vulgar 16 de Agosto, e dou-me com a morte do maior realista das letras portuguesas do século XIX, exactamente neste dia, há mais de um século atrás.

Como a maior parte dos garotos portugueses, tomei contacto com Eça de Queiroz – e não Queirós, nada mais que a prova de que o tempo tudo deturpa, nomes incluídos – dizia, tomei contacto com o escritor no ensino secundário, com Os Maias. Desde aí, passei os olhos com mais ou menos atenção por livros como O Primo Basílio, A Tragédia da Rua das Flores e A Cidade e as Serras. Mas, de todos, o que melhor me ficou guardado na memória foi O Crime do Padre Amaro, crítica pungente aos vícios do clero, retrato de um país bucólico. O Crime do Padre Amaro nunca teve, infelizmente, uma digna transposição para o cinema – e as duas tentativas já realizadas dizem bem da apetência da obra para o efeito. Nem a adaptação sul-americana – que conta com Gael García Bernal, é até simpática, mas está longe de se chegar ao que o palavreado certeiro de Eça conta; e muito menos a triste versão portuguesa-contemporânea da coisa, nenhuma delas me convenceu.

Eça nasceu, pois, na Póvoa de Varzim, terra deste bom amigo, em 1845. Estudou Direito em Coimbra, passou por África (Egipto), viveu em Inglaterra – onde trabalhou como cônsul português – e foi morrer a Paris. Era, ao que consta, bom amigo do insular Antero de Quental, também estudante das leis na cidade velha.

Na sua escrita percebe-se um homem extremamente culto. Os seus textos estão pejados de referências a autores clássicos e, acima de tudo, passagens filosóficas. Mas se há coisa que todos relacionamos com Eça é a exímia arte de descrever escrevendo, de nos encher o imaginário.

«Através das janelas desvidraçadas, por onde se avistavam copas de arvoredos e as serras azuis de além-rio, o ar entrava, montesino e largo, circulando plenamente como em um eirado, com aromas de pinheiro bravo. E, lá de baixo, dos vales, subia, desgarrada e triste, uma vos de pegureiro cantando. Jacinto balbuciou: ‘É horroroso!’ Eu murmurei: ‘É campestre!’».

Eça de Queiroz, conto Civilização

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