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little children

Junho 20, 2007

Ontem revisitei aquele que, para mim, é um dos melhores filmes de 2006: Little Children. Retrato cru da vida suburbana de uma pequena cidade dos EUA, aquilo que mais confunde, porque agrada, na fita de Todd Field é a simplicidade. Acaba-se com a sensação de que qualquer realizador, mais ou menos dotado, trataria do assunto. Nada mais falso. Não é inventivo e isso agrada-me, às vezes. Não aborrece com tecnicismos escusados. Desliza.

littlechild.jpg

Little Children – ou Pecados Íntimos, como lhe chamaram em Portugal – concentra tudo em dois aspectos: a profundidade das personagens e o compasso.
– a cadência do filme é perfeita, lenta, arrasta-se e arrasta-nos. E depois há uma voz de narrador enleante, que hipnotiza, que prende.
– nas personagens, duas são-me especialmente caras (e secundárias): a do pedófilo Ronnie (Jackie Earle Haley) e a do ex-polícia traumatizado Larry (Noah Emmerich). O primeiro assusta de tão humano que é; e, pecado dos pecados, consegue pena vinda deste lado da tela. O segundo é o estereotipo do tipo à deriva, que se agarra às pequenas coisas, sedente de atenção, tresloucado, real.

Depois há o sexo, a mesquinhez, a promiscuidade e a irritante brandura do comezinho do dia-a-dia.
No final, ficou-me uma entre muitas imagens: quando Sarah (Kate Winslet) empurra a filha no balouço do parque, com a câmara a filmar de frente e a pequena a vir na direcção do ecrã, mesma direcção onde, na cena, se encontrava o pedófilo. A mãe como que a empurrar a filha para o abismo.
Não há inocentes em Little Children. Gosto disso. «Começa no parque e acaba no parque», alguém disse. Chega.

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5 comentários

  1. Esse filme é daqueles que não deixa ninguém indiferente, não é? Dá-nos murros no estômago.


  2. não deixa mesmo, lila. como se nota, gostei muito, até do murro. kiss*


  3. Fez-me lembrar o American Beauty…


  4. No meu top, pelo menos, está. É daqueles que nos acompanham muito tempo depois de abandonarmos o cinema.

    Saudações


  5. É bom levarmos destes murros de vez em quando. Lembra-nos a nossa humanidade. Neste filme…os sentimentos atrás das pessoas, as pessoas, atrás dos sentimentos…surreal. *



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