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receita para agarrar(-te) no sonho:

Junho 15, 2007

guardar teu cheiro no baú das relíquias que não existem,
e tecer a noite com a seda do teu toque.

vazar o mar pela janela dos teus poros.
beber.

rasgar a areia com os dentes
e esperar pelo sal da tua língua.
ofegar nos ouvidos da madrugada
desejos de uma manhã adultera.

destapar baixinho os pés com que gatinham os beijos
e acordar com o frio da terra que enche as unhas de quem arrisca.
suspirar.

escrever ‘dia perfeito’ num resto de tinta violeta
e, finalmente, cerrar os olhos devagar.

o sonho que não dorme é sempre o melhor.

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4 comentários

  1. “o sonho que não dorme é sempre o melhor.”

    muito bonito e bem cheio de verdade.

    🙂


  2. …forte forte!!…ya…hum, boa!!

    a primeira frase escolheu-te bem!…conseguis-te fazer-lhe um texto com power!

    Parabéns


  3. Por natureza não costumo comentar o que gosto assim como não sei emitir pareceres ou opiniões sobre quem amo. Gosta-se e ama-se e pronto.
    O mesmo para a Poesia. Não porque não seja possível – é simples elaborar ideias – mas porque só cada um dentro de si sabe/sente o que é ou não é Poesia. É algo único, intransmissível a cada leitura. Por muitos séculos que tenha ou venha a ter é o momento que conta. Isto foi Poesia para mim. Obrigado.


  4. E eu ando sonhando acordada quase sempre.
    Agradecida pelo post.



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