Archive for Junho, 2007

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coração polar

Junho 30, 2007

Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha .
há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.

Manuel Alegre

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o planeta

Junho 30, 2007

já conhecia de nome – e de esporádicas passagens – o planeta da joana. mas, confesso, não viajava muitas vezes até lá. não por qualquer outro motivo que não fosse o inevitável desapego às coisas (e pessoas) que não nos estão tão próximas e que, por isso, acabamos por perder no meio da multidão de vozes (e de blogues).
agora isso mudou. e o b612 fez-se para mim destino constante. gosto dos habitantes daquele pequenino mundo.

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do Super Bock

Junho 30, 2007

Já me arrependi de ter dado 73 euros pelo bilhete geral do Super Bock Super Rock. Confesso, não sabia que a coisa ficava plantada num desterro chamado Sacavém e que duas horas são provavelmente a melhor performance possível para voltar do recinto para Lisboa nos fabulosos serviços de transporte que a organização oferece. E, melhor ainda, cada ida e volta ao desterro tem um simpático acréscimo de 3 euros ao orçamento festivaleiro. Genial.

Tirando isso, não me arrependo de nem um dos euros que larguei. A primeira noite foi Metallica e pronto. E ponto. É uma daquelas bandas que a malta costuma dizer que deve ser vista pelo menos uma vez na vida em concerto, certo? Já está. Nã há muito mais a dizer. A não ser que a enchente foi tremenda e que os verdadeiros fãs da banda deliraram com a prestação dos meninos que já carregam décadas de música nas costas.

Do que aí vem, espero com muita vontade por Arcade Fire (que ouço agora mesmo, enquanto escrevo). Mas, bem sei, avizinha-se semana complicada, com noites de Super Bock e dias de afazeres inadiáveis. A ver vamos como corre.

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the verve

Junho 27, 2007

Eles estão de volta.

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dos 20 mil visitantes

Junho 26, 2007

Sete meses e dois dias depois do primeiro post, a minha pequenina casa prepara-se para passar a marca das 20 mil visitas.
Gosto de efemérides. E por isso assinalo aqui, sem me alongar, mais um número redondo na história deste blogue. Do Lábios de Silêncio e dos seus (des)caminhos já escrevi em Janeiro aquando das primeiras 5 mil visitas e por isso não me repetirei.

Digo apenas que por cá continuarei, neste papel-de-ecrã com nome tão devotamente devedor da pena musical do Jorge Palma. Mas, segredo dos segredos, o começo de 2008 trará uma novidade blogosférica assinalável neste nosso complexo e mavioso círculo de amigos dos amigos dos amigos. A revelar, em breve.

Gosto de vos ter por aqui. Abraços e beijos.

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dos loucos e sonhadores (II)

Junho 26, 2007

Nós somos loucos, não somos?
Desta louca poesia,
Desta riqueza dos pobres
Que se chama fantasia!

Ergamos pois nossa tenda
E nosso lar de pobreza
No mais ermo desses montes,
No fundo da natureza.

Se o frio apertar connosco,
Pois não temos mais calores,
Aqueceremos os membros
Na fogueira dos amores!

Se for grande a nossa sede,
Tão longe da fonte fria,
Contentar-nos-emos, filha,
Com as águas da poesia!

Assim à nossa pobreza
Daremos a Imensidade…
Que com isto se contente
Nossa pouca seriedade.

E, pois somos loucos, vamos
Atrás dos loucos mistérios…
Deixemos ricas cidades
Ao sério dos homens sérios!

Antero de Quental

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enquanto houver estrada..

Junho 25, 2007

Aproxima-se a um ritmo frenético o final do estágio no Público. E parece que ainda ontem comecei. A coisa tem corrido muito bem, felizmente. Mas é tempo de (re)pensar as linhas da vida e apontar direcções. Há portas, ainda incertas, a abrirem-se. Delas falarei quando o que está no ar se tornar palpável. Agora, resta-me dizer que estagiar neste jornal tem sido uma das melhores experiências que me proporcionaram estes 22 anos de dias e noites.

Quando sair, sairei contente. Dei o que pude e, julgo, recebi umas quantas coisas em troca. O meu mundo (ainda) é Público e nunca deixará de o ser por inteiro, espero.