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modus vivendi

Maio 25, 2007

passo os dias mergulhado em econima. isso asfixia-me. o dia morre sempre, ou quase sempre, pela janela da redacção. sou de noite. só posso ser de noite. e, como tal, roubo impiedosas horas ao sono. a cama aparece-me como o carrasco que compactua com os ladrões do tempo que tomaram os ponteiros da minha vida. resisto. e sou de noite.

há coisas boas. o digital (versão papel) chamou por mim e eu fui, todo contente. agora escrevo-me também ali aos sábados e sobre coisas que me são tão caras. quando as intermináveis tardes económicas apertam, escondo-me na maviosidade da música que encontrei aqui. e quando posso ser, quando o «até amanhã» me chuta para fora destas quatro paredes, arrastam-me coisas monstruosas, fatais. e às vezes o bairro alto.

mas de tudo quanto sempre gostei de fazer, espreitar cinema foi o ritual que mais sentiu a mão pesada deste novo ritmo diário tão aturdido e lancinante. certo, não podia seguir a cadência assoberbada de um filme por dia. mas gostava. das leituras não me privo. da poesia lusófona à narrativa de Baptista-Bastos, dos contos fotográficos de Tchekhov às palavras espinhosas de Rilke.

no que sobra, a vida continua como dantes: agitada, caótica, desregulada, anárquica. boa.

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