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que me fez chorar

Maio 15, 2007

Não sou dessa casta de tipos que desmaia da primeira vez que entra na Capela Sistina. Primeiro porque nunca lá fui. E depois porque, perdoem-me, simplesmente não sou, sei que não.

Chorei apenas uma vez pelas mãos de um livro. Chamei-lhe livro espontâneo. Nunca houvera lido nada que se me afigurasse tão real, tão despretensioso. Era genial e era, ao mesmo tempo, um vómito cerebral metricamente distribuído no papel. Henry Miller. Não conheço outro assim. Trópico de Câncer. Muito menos. E chorei.

Foi em Salamanca. Eram umas cinco da manhã e a chuva trouxe-me a casa depois de uma noite boémia. Não vinha só. O vinho acompanhava-me como muitas vezes pessoas o não fazem. Estendi-me, torpe, na cama e abri o livro que lia há já algumas noites. E chorei. Sorri e chorei conforme avançava nas páginas daquela coisa que me entranhava. E falei alto. Porque tudo me parecia tremendamente belo, apocalipticamente perfeito, monstruosamente encantador.

Adormeci, (esta vírgula não é um erro. é uma vírgula vírgula) e no dia seguinte acordei com uma ressaca de palavras que me não vazava – ao invés, enchia – a garrafa da vida na torneira dos sonhos.
E sorri.

A vida, amigos, a vida pode mesmo ser uma bonita caixa de chocolates.

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3 comentários

  1. Tenho mesmo de ler esse livro. 🙂

    Beijinhos*


  2. que texto bonito 🙂
    só não consigo perceber como choraste com Henry Miller 😀


  3. ñ
    gostos destes poemas
    ??? lol estou na brinka



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