Archive for Maio, 2007

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texto em 3 minutos

Maio 31, 2007

lisboa é assim.
foi assim, ontem: sair da redacção um tudo nada antes das 19h. como que por milagre. sol. correr. descer a avenida das pessoas e entrar na dos livros. ver, ver muitos. cheirar. e comprar. dois pequeninos. dois baratinhos. que o dinheiro não estica e ainda há mais dias de feira. continuar com Baptista-Bastos. O Secreto Adeus a 1,5 euros. subir estrada. ver bd’s por toda a parte. parar aqui e ali. o vocalista dos Moonspell que vai apresentar o livro. também escreve. todos escrevemos. comprar. filosofia na relva. Espinosa e o Tratado da Reforma do Entendimento. mais euro e meio. brutal. seguir. contar calçada. saco de palavras na mão. baratas. boas. olhar para cima. partir. nem meia feira vista. nem meia à vista. o relógio não descansa. não cansa. casa. entrar sair. cinema. shortbus. ou shortbus. sexo e sexo dá sexo. seja como for. seja com quem for. voltar. comer porque sim. net. cama. não cama. cama. net. prision brake. três da manhã sem dormir. al berto. cama.
apagar a luz.
hoje vou andar por aqui. e perder isto. escolhas. sou um só. problema. qualquer dia trato disso. desdobro. multiplico. mas não acabo. principio.
lisboa é assim.
sabias?

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equilíbrio

Maio 30, 2007

quando, daqui a umas horas, a manhã vier branca e fria, saberei eu andar? lembrar-me-ei de como se põe um pé à frente do outro? sem cair..
sou, por uma noite, o peregrino sem tempo.

O Medo (pp. 44/45), Al Berto

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o longe e a miragem

Maio 30, 2007

tectos sem lua.

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nascem flores

Maio 30, 2007

se dúvidas restassem de que no mundo nascem flores da noite para o dia, esta pétala acaba com elas. é a casa-blogue de uma menina muito muito bonita.

e depois há também esta menina, não menos bonita. uma menina-surpresa que tenho vindo a conhecer nos últimos tempos. felizmente.   

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insónia

Maio 29, 2007

há anos que só consigo escrever deitado, durante a noite. escrevo sem continuidade. queimo a noite a observar os pés, as mãos, recuso-me avançar, a mexer-me daqui. recuso-me. é tarde, já devia estar a dormir, preciso largar o corpo na dormência fatal dos soníferos. é tarde? que importância terá ser tarde se o cansaço do mundo não abandona a roupa. ouço o corpo inquieto, imobilizado à porta da sua própria destruição.

O Medo (pp.22/23), Al Berto.

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cru

Maio 28, 2007

escuta_ze_ninguem.jpg«Não sou nem cristão nem judeu, nem maometano, mormon, homossexual, polígamo, anarquista ou membro de seita secreta.
Faço amor com a minha mulher porque a amo e desejo e não porque tenha um certificado de casamento (…).
Não bato nas crianças, não vou à pesca e não mato nem veados nem coelhos. Mas não atiro mal e gosto de acertar no alvo.
Não jogo brídege, não dou festas com o fito de divulgar as minhas teorias. Se o que penso é correcto divulgar-se-á por si próprio(…)»

Escuta, Zé Ninguém! (pp.30), de Wilhelm Reich.

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modus vivendi

Maio 25, 2007

passo os dias mergulhado em econima. isso asfixia-me. o dia morre sempre, ou quase sempre, pela janela da redacção. sou de noite. só posso ser de noite. e, como tal, roubo impiedosas horas ao sono. a cama aparece-me como o carrasco que compactua com os ladrões do tempo que tomaram os ponteiros da minha vida. resisto. e sou de noite.

há coisas boas. o digital (versão papel) chamou por mim e eu fui, todo contente. agora escrevo-me também ali aos sábados e sobre coisas que me são tão caras. quando as intermináveis tardes económicas apertam, escondo-me na maviosidade da música que encontrei aqui. e quando posso ser, quando o «até amanhã» me chuta para fora destas quatro paredes, arrastam-me coisas monstruosas, fatais. e às vezes o bairro alto.

mas de tudo quanto sempre gostei de fazer, espreitar cinema foi o ritual que mais sentiu a mão pesada deste novo ritmo diário tão aturdido e lancinante. certo, não podia seguir a cadência assoberbada de um filme por dia. mas gostava. das leituras não me privo. da poesia lusófona à narrativa de Baptista-Bastos, dos contos fotográficos de Tchekhov às palavras espinhosas de Rilke.

no que sobra, a vida continua como dantes: agitada, caótica, desregulada, anárquica. boa.