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(sal)azar

Março 26, 2007

Já todos sabemos o nome do vencedor do programa Os Grandes Portugueses. Isso mesmo, um tal de António de Oliveira. Se há quem chegue a dizer que não surpreende, que espelha a sociedade que temos, eu digo que pode reflectir o que seja [não acredito que reflicta grande coisa] mas que surpreende, surpreende e muito. Não assusta, ainda assim.

Há tempos já tinha deixado aqui a minha curta opinião sobre essa coisa que a televisão pública se lembrou de importar. Agora resta-me agradecer à RTP o fabuloso serviço que prestou ao país. Humilhante.

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8 comentários

  1. Porque não referir o nome de Álvaro Cunhal no segundo lugar? É tão ou mais surpreendente que o nome de Salazar. E isso sim, assusta.


  2. É também de recordar que nos Estados Unidos (pais bem maior que Portugal), o vencedor foi Ronald Reagan e em quarto lugar ficou George W. Bush. Dá para tirar algumas conclusões…


  3. Cunhal em segundo é claramente fruto de muito voto dos partidários do PCP. Esperava-se isso. Como tal não me surpreende nem assusta. Se achas que “isso sim, assusta”, só posso dizer que temos perspectivas históricas bem distintas. Se o Álvaro não é propriamente uma figura consensual, o António é só o reflexo dos anos de maior repressão que o país conheceu na sua história recente. E comparar isso a Reagen (??!!) ou mesmo ao quarto lugar de Bush parece-me um tanto descabido.


  4. Não foi uma comparação. Foi uma referência ao facto de também nos Estados Unidos os resultados não terem sido consensuais. Longe disso.

    “Cunhal em segundo é claramente fruto de muito voto dos partidários do PCP. Esperava-se isso.”

    O “esperava-se isso” é que me assusta… Não se trata de pespectivas históricas distintas. Não sou a favor de nenhum dos dois. Porque se por um lado Salazar fez coisas más (tal como boas), Cunhal também fez coisas muito más (tal como boas). Como por exemplo, quando se mostrou um dos mais firmes apoiantes da invasão da antiga Checoslováquia pelos tanques do Pacto de Varsóvia.

    Mas como já referi. O que assusta não é o Cunhal no segundo lugar. É o Salazar e o Cunhal nos dois primeiros lugares.

    Mas faço-te uma pergunta. Se fosse Cunhal no primeiro lugar. Já seria normal? Ou então… Menos “humilhante”?


  5. Não, não seria normal. Seria mais previsível porque, como já disse, Cunhal tem muitos partidários vivos. Não sei por que te assusta. O caciquismo é das coisas mais normais e corriqueiras das sociedades de ontem e de hoje. Mas, ao que parece, também Salazar tem muitos partidários vivos..

    Menos humilhante seria por certo. Qualquer escolha é descabida num programa ridículo como este, mas a vitória de Salazar é de todas as possíveis a mais macabra. Não há comparação entre as “coisas más e boas” de um e de outro. A coisa para mim é simples: Salazar foi um ditador, Cunhal não.
    Não votaria em nenhum nem em ninguém, porque o próprio intento de encontrar “o grande português” é estúpido. Mas, como digo, a RTP está de parabéns por se ter esforçado na escritura de uma triste (e humilhante) página da memória televisiva nacional. Não mais do que isso.


  6. Talvez isso reflita o estado político do País. Será que os Portugueses sentem saudades de autoridade?


  7. Esta espécie de concurso é tão ridículo que nem sei por onde começar…
    Talvez comece por questionar o critério que selecionou as dez personlidades a concurso – não acho normal não haver uma única mulher representada.
    A Florbela, a Sophia, a Amália e tantas outras devem ter dado voltas no túmulo.

    Se, por um lado, enoja o facto de haver programas abjectos em termos de discriminação sexual, como uma alarvidade que começou há dias na TVI, mais perigosa é esta discriminação camuflada promovida pelo próprio serviço público de televisão.

    Quanto à vitória do Salazar, parece-me que o saudosismo dos tempos idos é uma característica idiossincrática do povo deste jardim à beira-mar plantado (citando outro candidato ao título em questão 😛 ).

    Enfim…


  8. O único sanguinário da nossa história foi o Jorge Costa.
    Esse sim, merecia um lugar ao sol.
    Salazar nunca fez mal a ninguém, como ficou provado no deocumentário exibido em serviço público de televisão, Socrates não foi nomeado, clara discriminação por ser trabalhador-estudante, Soares é o pai da liberdade e vítima de Cavaco, Cavaco é vítima de ele próprio.
    Amália nunca cantou fado, Florbela era demasiado insubmissa para estar no top ten liderado por Salazar, João Jardim é estrangeiro, Sophia escrevia poemas e estórias encantadas para crianças, não há espaço para ela, e agora Cunhal, Cunhal… Cunhal não é uma figura da democracia portuguesa? Não aceitou o regime democrático? Não lutou para ele, nele? Com que base se acusa o homem de ditador? Cada contexto sua sentença. Até podia ter apoiado a música egípcia, não deixa de ser democrata.
    Obviamente que, daí até ser a segunda maior personalidade de sempre…

    Bom, mas já escrevi mais linhas do que alguma vez pensei sobre este programa absurdo. E o monstro que venceu já não assusta. Tal como na ponte, seu nome já foi riscado pela Liberdade.



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