Coisa Ruim podia começar assim: «senhoras e senhores, pois sejam muito bem-vindos ao primeiro capítulo da história do cinema fantástico português». E é partindo deste pressuposto – e de tudo quanto implica tal asserção (errónea, talvez) – que confesso ter gostado daquilo que vi.
A obra de Tiago Guedes e Frederico Serra não devia ser cinema nacional. Não. E este é um ponto fulcral: Coisa Ruim tem muito de El Espinazo del Diablo, do mexicano Guillermo del Toro; e cheira a The Others, do espanhol Amenábar. É, parece-me, partindo de referências que não andarão longe das citadas que se constrói este corpo estranho da coisa cinéfila lusitana.
Com evidentes defeitos e limitações próprios de quem enceta um caminho, esta película pode representar a descoberta de um filão (não direi melhor nem pior mas) diferente na sétima arte que por cá se faz. Há muito e bom sumo a pedir para sair desta Coisa que de Ruim só tem o nome.
Película que nasceu, definitivamente, num país que não é o seu. Para já.