Ontem olhei para a estante lá de casa. Procurei qualquer coisa pujante, que me mantivesse acordado por quanto tempo me apetecia – não tinha sono, muito menos vontade de dormir. Passei a mão pelo retrato de Dorian, escrito pelo Wilde, ainda olhei para as crónicas do Ricardo Araújo e do Fidalgo. Mas não era aquilo. Continuei e nada. Nada daquilo.
Finalmente, vi-o. De rajada, peguei nele, acendeu-se-me um cigarro na boca e foram vinte páginas. Deitei-me e segui lendo. Feliz por revisitar páginas tão queridas, tão tristes.
Voltei à cegueira branca de Saramago. Em boa hora.


