Arquivo de Janeiro, 2008

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ensaio

Janeiro 22, 2008

Ontem olhei para a estante lá de casa. Procurei qualquer coisa pujante, que me mantivesse acordado por quanto tempo me apetecia – não tinha sono, muito menos vontade de dormir. Passei a mão pelo retrato de Dorian, escrito pelo Wilde, ainda olhei para as crónicas do Ricardo Araújo e do Fidalgo. Mas não era aquilo. Continuei e nada. Nada daquilo.

Finalmente, vi-o. De rajada, peguei nele, acendeu-se-me um cigarro na boca e foram vinte páginas. Deitei-me e segui lendo. Feliz por revisitar páginas tão queridas, tão tristes.

Voltei à cegueira branca de Saramago. Em boa hora.

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bubamara?

Janeiro 18, 2008

junte-se um ucraniano a russos, israelitas e norte-americanos e o resultado é Gogol Bordello. Diz que é uma espécie de filme de Kusturica.

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das arquitecturas do silêncio (VI)

Janeiro 17, 2008

«o vazio foi sempre a minha preocupação essencial; e estou seguro de que, no coração do vazio como no coração do homem, há fogos que queimam»

Yves Klein

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recital de cinema

Janeiro 16, 2008
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Como ela disse, e muito bem, é preciso fazer um filme mesmo muito bom quando, no título, se denuncia toda a história. E assim é. O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford, altamente recomendável.
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criar notícias

Janeiro 15, 2008

Talvez seja precipitado agarrar a coisa assim: grassa no meio jornalístico um novo fenómeno. Mas é o que parece.

Primeiro, o repórter da Visão. Na linha de Super Size Me, mas de cores verdejantes, vegetarianas, propôs-se a uns meses de experiência alimentícia. Cortou na roda dos alimentos, consultou médicos, pesou-se, esmiuçou as vielas do corpo. O resultado foi uma reportagem em jeito de documentário. Na Visão e na SIC.

Agora, novamente com o carimbo SIC mas desta vez com o Público como parceiro, parece que vamos poder acompanhar ao minuto a vida dessa ave com nome giro, o grifo, através de uma câmara colocada no ninho do animal. A coisa mereceu destaque ontem, na SIC, e hoje está bem visível na capa do jornal da Sonae.

Ainda não é tempo de avaliar esta nova moda (será sequer uma moda?). O que não posso deixar de pensar é que há nisto uma subversão do papel do jornalista: em vez de procurar a notícia, o repórter tenta agora criá-la. Vontade de inovar ou défice de tempo para pensar a actualidade e dela sorver criatividade? Veremos.

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dois talentos

Janeiro 11, 2008

o de Tom Hanks, fabuloso neste gutural Filadélfia que lhe valeu muito mais que o Óscar. e o da maravilhosa voz de Maria Callas. é fechar os olhos e ir. boa viagem.

 

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radiohead

Janeiro 2, 2008

Em 1998 já os Radiohead tocavam esta belíssima versão daquilo que viria a ser a faixa Nude, inscrita no magnífico In Rainbows, que não me canso de ouvir. À data, a coisa não tinha título mas era conhecida por Big Ideas. Neste Nude com quase dez anos, há um Greenwood delirante a tocar dois instrumentos ao mesmo tempo. Notável.
Estar num concerto de Radiohead seria uma grande prenda para 2008. Definitivamente.

Don’t get any big ideas
They’re not gonna happen

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