
motelx e avante
Setembro 10, 2007
Longe do teclado por uns dias, o final de semana trouxe-me cinema e música para contar. Começou na noite de quinta-feira, com o arranque do MOTELx, primeiro festival de cinema terrífico em Lisboa. Sobre a coisa – e seus dois filmes de estreia – escrevi aqui, no Rascunho.
Chegou a sexta-feira e com ela a tradicional romaria ao Avante. Margem sul, pois claro. O cardápio musical era, dizia-se por aí, um dos melhores de sempre da festa. E, em boa verdade, valeu a pena.
Assim, a puxar depressa os cordões da memória, ficaram-me alguns grandes concertos: os tão portugueses Deolinda; os festeiros da música étnica Fanfare Ciocarlia, vindos da Roménia; Toumani Diabate e uma kora mágica onde parecia caber uma mão cheia de instrumentos; e, ontem, quase a fechar, as músicas intervencionistas de Zeca Afonso pela voz azul de Jacinta, num bonito momento de fraternidade.
Música à parte, a Festa do Avante continua a ser dona de uma auréola que não se encontra em parte alguma. E não é preciso ser-se militante do PCP, que não sou nem serei.
Os anos passam e a festa vai ganhando travo de festival de verão, as cores políticas cada vez pesam menos e o público é bastante difuso, às vezes duvidoso. Mas é nos abraços de quem genuinamente ali vai para ser feliz, para dançar a Carvalhesa aos rodopios, para compartilhar três dias com um brilhozinho nos olhos, é nos abraços e nos olhos desses novos e velhos (os velhos, como gosto eu dos velhos do Avante), é, pois, aí que se faz a verdadeira festa. E, apesar dos tempos, é ainda bonita a festa, pá.
