Arquivo de Julho, 2007

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azul azul

Julho 29, 2007

noite domingueira: um terraço, um céu de estrelas bailarinas, uma verdadeira noite de verão, Arcade Fire a tocar. se este final de semana fosse um texto seria magnífico. e a noite de hoje seria o ponto final perfeito.

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hoje. amanhã melhor.

Julho 26, 2007

Hoje estou triste, estou triste.
Estarei alegre amanhã…
O que se sente consiste
Sempre em qualquer coisa vã.

Ou chuva, ou sol, ou preguiça…
Tudo influi, tudo transforma…
A alma não tem justiça,
A sensação não tem forma.

Uma verdade por dia…
Um mundo por sensação…
Estou triste. A tarde está fria.
Amanhã, sol e razão.

Fernando Pessoa

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Olá, cá estamos nós outra vez

Julho 23, 2007

Depois de o primeiro single do novo álbum de Jorge Palma ter corrido Internet, televisões e rádios, confesso que se assolou sobre mim um pessimismo (quase) irredutível sobre a qualidade do novo trabalho do homem a quem devo o nome deste blogue. Não gostei, não gostei mesmo nada daquele Encosta-te a Mim.

Mas hoje tive direito a uma segunda música do alinhamento, cujo título me piscou o olho desde a primeira vez que o li: Olá, cá estamos nós outra vez. E, ainda que continue a achar que a coisa anda bem longe da qualidade letrista de outros tempos, nasceu-me uma centelha de vontade de ouvir o álbum por inteiro. Espero ainda vir a gostar muito deste Voo Secreto.


Jorge Palma, Olá, cá estamos nós outra vez

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rendido

Julho 22, 2007

O Secreto Adeus, de Baptista-Bastos, é – muito provavelmente – um dos melhores livros que já li. E é, sem dúvida, a melhor literatura que me passou pelas mãos nos últimos meses. Recomendo, recomendo vivamente.

«-Gosta de jornalismo, Rito?
-Sempre escrevo. Mas gostava mais de ser romancista.
-Isso não é uma profissão; é uma distracção. O romancista constrói histórias; o jornalista desmonta-as. Não têm nada em comum.
-Um romancista é mais livre que um jornalista.
-É? Não sei. Eu sou livre.»

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Make Some Noise, Save Darfur

Julho 20, 2007

«A nova campanha da Amnistia Internacional (AI) congrega três dezenas de canções escritas por John Lennon revistas por outros tantos nomes do panorama pop/rock contemporâneo. Instant Karma: The Amnesty International Campaign to Save Darfur é o disco que congrega os temas, já disponível em disco e através do iTunes. O valor das vendas reverte a favor do trabalho desenvolvido pela AI», conta o DN.

Deixo um vídeo que me agradou bastante. E, coisas outras à parte, a causa é boa, isso é.


Keep you doped with religion and sex and TV,
And you think you’re so clever and classless and free,
But you’re still fucking peasents as far as I can see,
A working class hero is something to be,
A working class hero is something to be.

Green Day, Working Class Hero

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a ouvir

Julho 19, 2007

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esta menina encanta-me.


Maria Rita, Maria Rita (2003) – Não vale a pena

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repugnantia

Julho 19, 2007

«Apercebeu-se de que tinha de descarregar todo o desprezo que sentia por Manuel Alvito. As ideias e as imagens decorrentes emergiam em tumulto, desordenadas. Não sabia por onde começar: se pela esquisita maneira de vestir do outro, se pela venalidade premeditada, se pela mediocridade dos artigos que redigia. E não era ele próprio, também, um medíocre, um venal, um boato de homem, como gostava de dizer de outros?»

in O Secreto Adeus (1963), de Baptista-Bastos – um autêntico tratado sobre jornalismo, diga-se.

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a versão negra de eleanor rigby

Julho 18, 2007

vale muito a pena escutar esta, do velho Ray

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inverter: do DN para o Público

Julho 18, 2007

Há coisas assim, que se revertem, que se alteram sem que estejamos minimamente à espera. Afinal não era oficial e nem sequer era garantido: à última da hora o DN deu o dito por não dito, virou o bico ao prego. Ontem, naquele que pensava ser o meu primeiro dia de trabalho ali, fui informado de uns acontecimentos inesperados que levaram à impossibilidade da minha contratação a tempo inteiro pelo jornal. Queriam-me, ainda assim, como colaborador, pago à peça. Decidi que não.

Depois deste verdadeiro welcome to the jungle com que fui brindado na minha primeira abordagem ao mercado de trabalho, foi tempo de repensar as coisas. Resultado: volto ao Público, como colaborador freelancer dos suplementos ‘Economia’ e ‘Digital’, proposta que já me havia sido apresentada antes de abalar (efemeramente) avenida abaixo (literalmente) em direcção à redacção do DN. Estou agora a acertar agulhas com os meus editores e continuarei, portanto, a escrever no Público. Entretanto outras coisas hão de surgir.

Fica assim cravado (e esclarecido) na memória deste blogue um episódio que, com toda a certeza, recordarei saudavelmente daqui por alguns anos. Nem tudo o que parece é e isto é bem verdade. Abraços a todos quantos me felicitaram pela suposta ida para o DN. As coisas não correram como esperado mas a vida é mesmo assim e não há que desanimar. Tudo tomará bom caminho, espero.

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do incomensurável

Julho 16, 2007

outra noite, dormias, olhei-te e pensei: ‘ela deve ser a vergonha de todos os espelhos. impossível fazê-la caber num reflexo’.

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Bathroom Mirror, Lora Shelley

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do sangue que vem com a noite

Julho 14, 2007

Fernando Ribeiro (Moonspell), em entrevista ao Destak

- O amor é vampiro?
- Completamente. Aliás, todo o tipo de relação é. São trocas fluidas de energias. É uma metáfora bela. Trata-se de dar e receber: aquele que dá o sangue e recebe em troca a eternidade.

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cinema de consola?

Julho 12, 2007

harrypotter.jpg«Na sua vacuidade dramática e também na sua mediocridade dramatúrgica, Harry Potter e a Ordem da Fénix não chega a ser um mau filme — em boa verdade, já não é um filme». João Lopes, no blogue sound + vision

O episódio mais recente da saga Harry Potter foi recebido com estas (e outras) palavras de desprezo pelo crítico de cinema do DN, João Lopes. Diz o João que «já não é o jogo que recria o filme — o filme é que passou a existir como uma ‘imitação’ do jogo, dos seus cenários afunilados e das suas personagens de movimentos mais ou menos engasgados». Ainda assim, quero ver.

A propósito desta relação cada vez mais próxima entre os vídeo-jogos e o ‘cinema’, esta semana dá-se notícia da entrada de Steven Spielberg no mundo dos jogos de computador, apadrinhada pela EA Sports.

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fusione perfectus

Julho 10, 2007

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Eternal Idol (1889), Auguste Rodin

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do Público para o DN

Julho 9, 2007

Não é oficial mas é garantido: na próxima segunda-feira começo a trabalhar no Diário de Notícias. Boa notícia, depois de acabado o estágio no Público. Estou contente :)

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retratos encantados

Julho 6, 2007

depois disto, alguém ainda é capaz de dizer que o cinema não é de uma magia quase inigualável? 80 anos de divas do cinema passadas em revista, a preto e branco. muito glamour.

continuamos e vamos parar à galeria de capas desdobráveis feitas por Annie Leibovitz para a revista Vanity Fair. deixo uma das 13, que segue a linha deste post e respira charme feminino.

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super bock, a melhor de ontem

Julho 6, 2007

Gostei de Interpol. Atitude rock, de poucas falas e muita música – mas boa música, com entrega, não como a que The Jesus and Mary Chain ofereceram na noite anterior. Agarrar com os acordes e não com as palavras. Baterista e guitarrista de cigarro ao canto da boca, compenetrados, bons executantes, profissionais. O vocalista não ofende, pelo contrário; o conceito e as melodias, admita-se, não primam pela originalidade. Mas tem que ser tudo original para ser bom? Não tem.

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E, para mim, Interpol foi mesmo o melhor que a noite teve. Em Novembro, 7, estão de volta a Lisboa, desta feita para actuarem no Coliseu.

Quanto a Scissor Sisters, são simpáticos, deitam foguetes, apanham canas. A menina com um estilo muito Hollywood anos 50 – e a fazer lembrar Drew Barrymore nas formas; o menino, bom, o menino tem uma voz peculiar, agudos fabulosos, e salta que se farta. Engraçados, às vezes brejeiros nalgumas piadas. Entretêm, não mais que isso.

Underworld não é para mim. Acredito que tenha sido um bom concerto, que a malta tenha vibrado, que o chão tenha tremido. Mas é coisa que não entra nem mexe comigo. A componente vídeo foi o mal menor, entreteve-me os olhos, apesar de não ser fantástica. Salvou-se, isso sim, a música do incontornável Trainspotting.

A que se segue foi, portanto, a melhor da noite, para mim.

Pioneer to the Falls, Interpol

E acabou o SBSR. Dos concertos que vi – e infelizmente foram poucos, por falta de tempo – alinharia a coisa assim, por ordem de preferência: Arcade Fire, LCD Sound System, Interpool, Bloc Party, Metallica e o resto.

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the end

Julho 6, 2007

último dia de estágio no Público.

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henrique viana (1936-2007)

Julho 5, 2007

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«Era um actor como já não há».

A frase, que abre o texto de Inês Nadais no Público, sintetiza aquilo que foi, que é, este grande senhor que ontem fechou os olhos para sempre.

«Não tenho medo da morte. Tenho é pena de morrer», disse um dia Henrique Viana. Eu também tenho pena, muita pena.

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duas noites, dois grandes concertos

Julho 5, 2007

primeiro, na terça, o acto divino e perfeito dos Arcade Fire foi assim

depois, ontem, os (para mim surpreendentes) LCD Soundsystem apresentaram-me esta grande grande grande música que segue abaixo

New York, I Love You
But you’re bringing me down

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mãos abertas às constelações

Julho 4, 2007

A uma luz perigosa como água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos
(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. É assim que te faço arder triunfalmente
onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)
Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher
E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços

Experimento um grito
Contra o teu silêncio
Experimento um silêncio
Entro e saio
De mãos pálidas nos bolsos

Alexandre O´Neill