
o poema
Junho 6, 2007Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplendida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
rios, a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silencio
a hora teatral da posse.
E o pema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das cisas
e a redonda e livre harmonia do mundo.
Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério
- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.
Herberto Helder
a todos vós, mas especialmente a ti e ti. que sei que vos está no coração.
são os poemas que escrevem os poetas.

Ah!Amnésia. Mas sabia que isto tinha começado num lado oposto à coisa. Tudo culpa da Kodak. Grande frase, uma boa culpada. E os poemas que fazem os poetas. – Dialectos de Redacção no mail G.
“Para mais tarde recordar,purú!”
«Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência»
quando há tempos li isto pela primeira vez, foi… foi como… foi…