


vou-me
Fevereiro 5, 2008Feche-se a porta, encoste-se a enxada, pouse-se o pincel, desligue-se a câmara, amarrem-se os dedos. isto começou aqui e acaba aqui. Sem porquês. Se haverão outras núpcias não sei. Defendo-me com a frase que João Soares me atirou há dias numa entrevista: «Costuma dizer-se que o futuro a deus pertence. Eu sou ateu. Não tenho acesso à informação.»
Até à vista.

ensaio
Janeiro 22, 2008Ontem olhei para a estante lá de casa. Procurei qualquer coisa pujante, que me mantivesse acordado por quanto tempo me apetecia - não tinha sono, muito menos vontade de dormir. Passei a mão pelo retrato de Dorian, escrito pelo Wilde, ainda olhei para as crónicas do Ricardo Araújo e do Fidalgo. Mas não era aquilo. Continuei e nada. Nada daquilo.
Finalmente, vi-o. De rajada, peguei nele, acendeu-se-me um cigarro na boca e foram vinte páginas. Deitei-me e segui lendo. Feliz por revisitar páginas tão queridas, tão tristes.
Voltei à cegueira branca de Saramago. Em boa hora.

bubamara?
Janeiro 18, 2008junte-se um ucraniano a russos, israelitas e norte-americanos e o resultado é Gogol Bordello. Diz que é uma espécie de filme de Kusturica.

das arquitecturas do silêncio (VI)
Janeiro 17, 2008«o vazio foi sempre a minha preocupação essencial; e estou seguro de que, no coração do vazio como no coração do homem, há fogos que queimam»
Yves Klein

recital de cinema
Janeiro 16, 2008

criar notícias
Janeiro 15, 2008Talvez seja precipitado agarrar a coisa assim: grassa no meio jornalístico um novo fenómeno. Mas é o que parece.
Primeiro, o repórter da Visão. Na linha de Super Size Me, mas de cores verdejantes, vegetarianas, propôs-se a uns meses de experiência alimentícia. Cortou na roda dos alimentos, consultou médicos, pesou-se, esmiuçou as vielas do corpo. O resultado foi uma reportagem em jeito de documentário. Na Visão e na SIC.
Agora, novamente com o carimbo SIC mas desta vez com o Público como parceiro, parece que vamos poder acompanhar ao minuto a vida dessa ave com nome giro, o grifo, através de uma câmara colocada no ninho do animal. A coisa mereceu destaque ontem, na SIC, e hoje está bem visível na capa do jornal da Sonae.
Ainda não é tempo de avaliar esta nova moda (será sequer uma moda?). O que não posso deixar de pensar é que há nisto uma subversão do papel do jornalista: em vez de procurar a notícia, o repórter tenta agora criá-la. Vontade de inovar ou défice de tempo para pensar a actualidade e dela sorver criatividade? Veremos.

dois talentos
Janeiro 11, 2008o de Tom Hanks, fabuloso neste gutural Filadélfia que lhe valeu muito mais que o Óscar. e o da maravilhosa voz de Maria Callas. é fechar os olhos e ir. boa viagem.

radiohead
Janeiro 2, 2008Em 1998 já os Radiohead tocavam esta belíssima versão daquilo que viria a ser a faixa Nude, inscrita no magnífico In Rainbows, que não me canso de ouvir. À data, a coisa não tinha título mas era conhecida por Big Ideas. Neste Nude com quase dez anos, há um Greenwood delirante a tocar dois instrumentos ao mesmo tempo. Notável.
Estar num concerto de Radiohead seria uma grande prenda para 2008. Definitivamente.
Don’t get any big ideas
They’re not gonna happen

sinal dos tempos
Dezembro 26, 2007a mensagem da Rainha de Inglaterra pela primeira vez no YouTube. Até foi criado um Canal Real para o efeito.

mãos de bailarina
Dezembro 25, 2007o melhor presente que este natal (que, lá em casa, é todos os dias), este ano, este ser lisboeta e este sei lá mais o quê me têm trazido és tu. indiscutivelmente.
não quero acordar nunca deste delicioso sonho azul.

das leituras: pequeno balanço
Dezembro 24, 2007Diz-me o meu blogue, cumprindo a bonita função de diário-público-facilmente-conspurcável que lhe cabe, que no ano passado por esta data andava eu a ler Tratado Político, de Espinosa. Ora, este ano, com o Natal aí - e intercalando tamanho texto com o evidentemente menor Delfim, do Cardoso Pires - tenho-me queimado na Boca do Inferno. Para quem não sabe - e desgraçados os que ainda não sabem (assim mesmo, em tom desafiante e amaldiçoador) - Boca do Inferno é um primoroso amontoado de crónicas saídas da pena Ricardo Araújo Pereia (óbvio que já ninguém escreve com pena, pelo que e expressão é já de si descabida). Achei que era o momento de falar brevemente sobre esta diferença literária à escala de 365 dias.
É que se em 2006 eu perdia um Dezembro ainda bracarense a ler coisas como «não há homens que se pense menos próprios para governar o Estado do que os teóricos, quer dizer, os filósofos», este ano ganhei juízo e tenho ocupado as hora com bonitos e curtos textos cujos temas dominantes são de agarrar qualquer leitor pelos colarinhos. Veja-se: seios, Vasco Pulido Valente, seios, o Benfica, seios, José Sócrates, seios e Santana Lopes. Às vezes, Ricardo Araújo Pereira varia um pouco e escreve também sobre seios. E sobre o Benfica. Todo um rasgo de originalidade, o rapaz.
Ora, não pude deixar de vir aqui, publicamente, dar-vos conta desta minha atitude: de um momento para o outro, que é como quem diz de um ano para o outro, larguei-me de toda essa cultura medíocre, popular (sinónimos, como bem sabemos) e de arruaça, composta por Espinosas, Nietzsches, Calvinos, Al Bertos e outros que tais; e entreguei-me à palavra de recorte fino de Ricardo Araújo Pereira (acho que ele ia gostar da expressão. Tem um quê de futebolística). E garanto, nada como subir os degraus da escada literária (cá está uma frase digna dos melhores livros de Margarida Rebelo P.), deixar para trás a facilidade bafienta desses estroinas seculares e levarmo-nos a consumir no fogo de uma Boca do Inferno intelectualmente superior.
Ricardo, se me estás a ler, um abraço. Ter o teu livro é como ser dono da melhor Visão alguma vez publicada. Não tenho seios (muito menos grandes) mas gosto de ti, pá (e esta frase vem à liça de não poder concluir o texto sem usar uma expressão ao menos medianamente homossexual).
Feliz Natal.

das arquitecturas do silêncio (V)
Dezembro 20, 2007quando não estás,
cortam-se horas em golpes que sangram a merda dos dias.
quando não vens,
kamikazes e explosivos e corações de pétalas rebentam incessantes.
esquecer-me de ti.
encontrei a solução impossível.
José Oliveira

olá madrid
Dezembro 19, 2007o bonito fim-de-semana em Madrid deu para muito. e deu para arregalar os olhos com o Reina Sofía e o Prado. de tudo quanto vi(mos) e que - apesar do curto tempo - foi muito, destes não me esquecerei tão cedo. foi um prazer, madrid.

o mais belo jardim

o quebra-cabeças civil

as mais belas meninas

branco dos meus olhos
Dezembro 18, 2007ontem, por hora e meia, fui tremendamente feliz. a culpa, essa, entrego-a a uma (ou duas) menina(s) e aos músicos que a(s) acompanhavam.

neste mar a letra
Dezembro 17, 2007duas frases que me ficaram. hoje, às voltas no mundo de palavras da web, à procura não sei bem de quê – mas com uma vontade atroz de encontrar o que fosse, qualquer coisa capaz de me apaziguar as entranhas.
Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (…) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.
Antoine de Saint-Exupéry
Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas.
Goethe
assim vamos.

do ano e alguns dias
Dezembro 10, 2007Dias atrás, a 25 de Novembro, fez este blogue um ano. Não sei se fará dois, tal é a pouca actualização a que o tenho votado nos últimos tempos. Dispersam-se as horas dos dias pelos vários quereres e afazeres e a coisa vai esmorecendo. Assim vem acontecendo. Mais de 12 meses e 45 mil visitas depois, o Lábios de Silêncio continua a existir. Devagarinho.

deixo-lhes carinho, vá
Dezembro 6, 2007Ontem, para escrever um breve texto sobre os concertos dos Xutos&Pontapés que comemoram vinte ano do disco Circo de Feras, dei com o primeiro teledisco da banda, Sai pr’a rua, que, confesso, desconhecia por completo.
O vídeo podia ser de um qualquer concerto de 2006. É que os gajos não mudam.

ler, essa terrível obrigação
Novembro 30, 2007Parece que, em Espanha, 22 por cento dos estudantes universitários admite nunca pegar num livro. Por cá, a coisa será diferente?
